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21 de outubro de 2020

Madeleine de Commercy {e de Proust}

Madeleine é um simpático bolinho em formato de concha de origem francesa (vila de Commercy, região de Lorraine). Em visita ao castelo de Commercy (1775), o rei (já abdicado da Polônia) Stanislas Leszczynski (Stanislau I) provou o bolinho feito pela camponesa Madeleine Paulmier. Ficou tão encantado com a iguaria que acabou batizando-o com o nome da camponesa. Assim, ganharam fama em Versalhes e Paris. Outra história nos conta que, uma senhora de nome Madeleine, vendia bolinhos em formato de concha de vieira para os peregrinos que faziam o Caminho de Santiago, justamente pela concha ser o símbolo do caminho. Na disputa pela história e criação, ainda entram o confeiteiro Jean Avise e o chefe de cozinha e confeiteiro Marie-Antoine Carême (1783-1833). 
A fama do bolinho foi ainda mais avassaladora depois que o escritor Marcel Proust (1871-1922) o citou em No caminho de Swann, primeiro dos sete volumes de sua obra Em Busca do Tempo Perdido. A mordida em uma madeleine, acompanhado de chá quente, trouxe lembranças de sua infância na cidade de Combray.


[...] E de súbito a lembrança me apareceu. Aquele gosto era o do pedaço de madeleine que nos domingos de manhã em Combray (pois nos domingos eu não saía antes da hora da missa) minha tia Léonie me oferecia, depois de o ter mergulhado em seu chá da Índia ou de tília, quando ia cumprimentá-la em seu quarto. O simples fato de ver a madeleine não me havia evocado coisa alguma antes que a provasse; talvez porque, como depois tinha visto muitas, sem as comer, nas confeitarias, sua imagem deixara aqueles dias de Combray para se ligar a outros mais recentes; talvez porque, daquelas lembranças abandonadas por tanto tempo fora da memória, nada sobrevivia, tudo se desagregara; as formas - e também a daquela conchinha de pastelaria, tão generosamente sensual sob sua plissagem severa e devota - se haviam anulado ou então, adormecidas, tinham perdido a força de expansão que lhes permitiria alcançar a consciência. [...]